Domingo, dia 16 de maio aconteceu o encerramento das Congadas, com a chegada dos ternos, na Escola Municipal Dr. João Bráulio Júnior, para cumprimentar o Rei do Congo João Alfredo Natali e a Rainha Helena Coutinho.
As congadas - segundo Luís da Câmara Cascudo - são autos populares estritamente brasileiros, embora de motivação africana, representados em quase todos os estados do país. Os elementos de formação das congadas foram a coroação dos reis do Congo, os préstitos e embaixadas e as reminiscências de bailados guerreiros, nos quais se encontrava sempre envolvida a Rainha Njinga Nbandi, que governou Angola em meados do século XVII. Era a famosa Rainha Ginga, valente defensora da sua autonomia diante dos colonizadores portugueses. No entanto, ainda de acordo com Câmara Cascudo, esses autos nunca existiram em terras africanas, sendo uma criação dos escravos no Brasil.
Em Lambari, as congadas adquirem um aspecto puramente regional, muito provavelmente devido à concepção de cada chefe de terno, no que diz respeito à interpretação da estrutura dos festejos. Aí, ao contrário do que acontece nas congadas do Nordeste, a Rainha Ginga surge, não como inimiga de um Soba, que seria Henrique, rei do Congo, mas sim como sua esposa, ao qual ela acompanha, sendo ambos seguidos por todos os ternos. Além dessa interpretação a respeito dos reis negros, as congadas de Lambari apresentam ainda os Imperadores - duas figuras inusitadas, se não em todas as congadas que se realizam no país, pelo menos na maioria delas. Os Imperadores, representados por duas pessoas brancas, são D. Pedro I e a Princesa Isabel - dois símbolos da liberdade: O primeiroporque libertou o Brasil; a Princesaporque aboliu a escravidão.
O estandarte com a imagem de São Benedito trazendo o Menino Jesus no colo é o símbolo da religiosidade dos ternos.
O cerimonial da troca das coroas é o mais importante das congadas. O terno que é dono das coroas do Imperador e da Imperatriz vai à casa de cada um destes e os apanha para irem, em embaixada, até onde. se encontram o Rei do Congo e a Rainha Ginga. A ele juntam-se os outros ternos, que dançam e cantam em homenagem aos libertadores. Tanto os Imperadores quanto os Reis são recebidos pela embaixada com uma guarda de honraarmada de espadas, que se entrecruzam para que eles passem sob elas.
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